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Blockchain: entenda o que é e o que representa para os criptoativos

Tempo de leitura: 4 minutos

Blockchain é a inteligência por trás das moedas digitais. Foi apresentado em 2008 pelo criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto. Como é um pseudônimo, não há como afirmar se o nome se refere a uma pessoa ou a um grupo de programadores.

Trata-se da tecnologia que dá segurança e confiabilidade à troca e ao armazenamento de informações entre os participantes da uma rede, sem a necessidade de intermediários ou de uma entidade centralizadora.

É como um sistema de banco de dados que armazena registros e transações de maneira segura e inviolável. Essa tecnologia possui uma arquitetura conhecida como descentralizada e distribuída.

Ou seja, os registros não ficam armazenados em apenas um lugar. Ao contrário, todos os participantes recebem uma cópia fiel de todas as informações que foram transacionadas e trocadas.

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Essas características podem garantir agilidade e segurança em diversos processos e possibilitar inúmeras maneiras de aplicações. Por isso, é tema de pesquisas no mundo inteiro e em inúmeros segmentos, como finanças, saúde, sistemas de votações e registros, entre outros.

Entretanto, entender como ele funciona exatamente no Bitcoin, as características e detalhes são fundamentais antes de pensar nas variações de uso, que cada vez se expandem mais.

Como funciona?

Blockchain é uma corrente ou cadeia de blocos. No ambiente do Bitcoin, um novo bloco é formado, em média, a cada dez minutos. Cada um traz o registro de todas as transações feitas nesse intervalo.

Essas transações são validadas pelos mineradores (você vai entender o que são os mineradores logo mais). São verificados o remetente e o destinatário das criptomoedas, se não há duplicidade, se quem enviou realmente tem saldo, entre outras informações.

Depois de validar a autenticidade de todas as transações, o bloco é criptografado e inserido no blockchain. As informações gravadas são invioláveis e ficam visíveis para todos os participantes.

Corrente de blocos na prática

O que une um bloco ao outro é um código chamado de hash. É uma assinatura digital e cada bloco tem a sua. O hash é um algoritmo criado a partir de cálculos complexos feitos pelos mineradores.

Ele é baseado em informações do bloco anterior. Dessa forma, se alguém modificar um bloco já adicionado ao blockchain e incluir, alterar ou excluir algum dado, o hash será modificado.

Contudo, como cada bloco tem um hash baseado no anterior, se algum hash é modificado, o bloco posterior vai perder a ligação e a corrente será quebrada. Ou seja, uma das funções é exatamente aumentar a segurança do blockchain.

Cada bloco tem uma espécie de impressão digital única e um é ligado ao outro como em uma corrente. Além disso, não existe um arquivo central. Todas as informações estão em todos os computadores da rede. Logo, também não seria possível modificar algum dado em todos os computadores espalhados pelo mundo.

É possível verificar todas as movimentações feitas desde o início do Bitcoin. No entanto, a identidade dos usuários não é revelada. O conjunto desses blocos forma o grande banco de dados que é o blockchain.

Mineração

Minerar é o processo de adicionar registros ao blockchain a partir da resolução de cálculos matemáticos complexos. Entretanto, é também o mecanismo usado para gerar novas moedas digitais.

Para minerar, é preciso baixar o software específico. Assim, o computador vai fazer parte de uma rede interligada com outros computadores. A função do minerador é verificar e validar as transações feitas com as moedas digitais.

Inúmeros computadores competem para solucionar algoritmos. A máquina que resolve o problema matemático primeiro, recebe criptomoedas como recompensa. É assim que o minerador lucra.

Toda vez que um algoritmo é solucionado, um novo bloco é criado e adicionado ao blockchain. No entanto, o sistema dificulta a criação de novos blocos pelos mesmos computadores para aumentar a segurança.

Aplicação corporativa

Distribuição, descentralização e segurança resumem o blockchain e são os motivos de interesse das empresas nessa tecnologia. Contudo, o blockchain originalmente é público, o que pede algumas adaptações para o meio corporativo.

Essa variação do blockchain para o ambiente das empresas é conhecida como permissionada ou privada. Assim, cada uma pode customizar a tecnologia, permitir somente participantes autorizados na rede, delimitar o papel de cada um e configurar o que cada um pode acessar, por exemplo.

As características do blockchain permitem aplicações para fiscalização de orçamentos, auditorias, acompanhamento de processos, controle rigoroso de dados, entre outras variações que estão sendo estudadas e testadas no mundo inteiro.

Muito além

O banco americano JPMorgan Chase lançou em 2017 uma plataforma baseada em blockchain para a realização de pagamentos entre bancos. Aqui no Brasil, tanto a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) quanto o Banco Central conduzem estudos sobre blockchain com o intuito de agilizar e facilitar transações bancárias.

Outra alternativa de aplicação, inclusive já usada, é para criar contratos autogerenciáveis, que se administram e se liquidam sozinhos, conhecidos como contratos inteligentes (Smart Contracts).

Um projeto do governo da Estônia usa blockchain para armazenar informações médicas dos cidadãos, como vacinas, receitas, exames e prontuários. Os dados podem ser acessados por médicos e pacientes e também contribuem com a evolução de pesquisas científicas.

No campo político, o aplicativo “Mudamos” tem o objetivo de recolher assinaturas para promover projetos de iniciativa popular no Brasil. Também, claro, a partir da tecnologia blockchain.

Além do reconhecimento e legitimidade de assinaturas, outra possibilidade que está sendo testada no país é a digitalização de registros de propriedades e terras em alguns cartórios.

Na parte de entretenimento, o “Paratii”, plataforma de distribuição de vídeo baseada na tecnologia blockchain, permite que usuários e produtores compartilhem conteúdo sem intermediários. O objetivo é dar mais autonomia e poder para pequenos produtores de conteúdo.

 

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Redação CoinBene
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