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Criptomoedas: conceito passageiro ou que veio para romper barreiras?

Criptomoedas: conceito passageiro ou que veio para romper barreiras?
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Criptomoedas são pauta de inúmeras reportagens nos jornais, na tv e na internet. No entanto, ainda há quem desconheça o significado delas. Em resumo: são moedas digitais descentralizadas, ou seja, que não existem em papel e não precisam de intermediários ou de uma entidade centralizadora para existir.

A primeira moeda virtual, o Bitcoin, completou recentemente dez anos. Entretanto, muitos ainda questionam se não se trata de algo passageiro, como uma tendência que desperta a curiosidade das pessoas, mas desaparece na sequência.

Contudo, enquanto surgem dúvidas a respeito dos criptoativos, a blockchain, tecnologia por trás das moedas digitais e apresentada pelo criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto, é amplamente utilizada em vários segmentos.

E é essa tecnologia que dá segurança e confiabilidade à troca e ao armazenamento de informações entre os participantes da uma rede. Blockchain funciona como um banco de dados que armazena registros e transações de maneira segura e inviolável.

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Caminho para o amadurecimento

O economista Dioner Segala não acredita que criptomoedas sejam uma espécie de moda: “Minha visão é de que é um mercado de risco, mas com um futuro promissor. O Bitcoin é uma moeda muito nova, ainda tem bastante espaço para crescer e se consolidar, assim como outras novas moedas devem surgir e conseguirão fazer o mesmo”.

Entretanto, o economista diz que os ativos digitais precisam resolver alguns problemas, que não necessariamente são os mesmos para cada uma delas, para se tornarem um meio de troca. Ele diz que um deles é a volatilidade, que está ligada a oscilações de preços em um curto intervalo de tempo.

Segala afirma que muitas das criptomoedas criadas durante a euforia do Bitcoin deixarão de existir, ou se manterão apenas entre poucas pessoas. Porém, ele acredita que as melhores permanecerão e, em médio e longo prazo, a volatilidade desses ativos diminuirá cada vez mais, e isso será um ponto positivo para sua utilização.

“O volume de negociações de Bitcoin cresceu bastante, teve uma queda neste ano, principalmente após aquela euforia que tivemos no fim do ano passado, quando um BTC chegou a valer 19 mil dólares, e agora está mais estável”, diz Segala.

Sem milagres

Segala diz que a compra de qualquer moeda pode ser uma forma de investir. Logo, alguns conceitos são similares: “Não há garantias ao fazer nenhum investimento. Mesmo em títulos da dívida pública, há sempre o risco de um default por parte do governo. Cautela é importante, seja para investir em criptomoedas ou para outros investimentos”.

O economista vê nas moedas virtuais um ponto a favor para se considerar: “Grande parte das pessoas enxerga os criptoativos como um risco enorme por serem emitidas de forma descentralizada. Já eu enxergo isso como principal benefício, já que não há um Banco Central desvalorizando continuamente a moeda ao emitir cada vez mais dinheiro para dar liquidez ao sistema bancário”, afirma.

Entretanto, ele ressalta a importância de estudo: “Nunca deixo de recomendar duas coisas, cautela e conhecimento. Não acredite em milagres, em ganhos extraordinários e promessas fáceis. Não há isso em nenhum mercado. Ganhos fáceis não existem. Para ter sucesso em qualquer investimento, a única maneira é adquirir conhecimento”.

Por isso, o economista recomenda muita leitura: “Pesquise os fundamentos da moeda, como ela funciona, se tem ou não limite de emissão e como é a mineração dela. Não digo que você deve ser um expert, mas um conhecimento básico é fundamental. Além disso, conhecer como funcionam as taxas, como é o volume de negociação, se tem bastante ou pouca gente usando e quais as perspectivas”.

Segala diz que conhecimento não garante rendimentos, mas pode ajudar a minimizar riscos: “Também vale aqui aquela velha máxima de qualquer investidor, não coloque tudo em um lugar só. Diversifique. E se é um mercado de risco alto, não use o dinheiro do ‘pão’ para isso. Utilize uma reserva que você sabe que não precisará em curto prazo”.

Meio de troca

“O Bitcoin é minha moeda candidata para, no futuro, ser utilizada como principal meio de troca. Ela tem diversas vantagens, mas precisa superar o que eu chamo de paradoxo da volatilidade. Para ser usada como meio de troca, precisa deixar de ser volátil e, para tanto, não deve ser usada como ativo de especulação. É algo difícil de superar, mas eu acredito que é possível, na medida em que ela se populariza. Grandes empresas já aceitam o Bitcoin como forma de pagamento”, diz Segala.

Maylin Maffini, advogada e especialista em finanças, também não enxerga as moedas virtuais como algo passageiro. Contudo, diz que é preciso mais regulamentação para a utilização e ampla disseminação: “Hoje, as criptomoedas têm mais características de ativo financeiro, mais como uma commodity digital do que como moeda propriamente dita. E grandes players estão apostando alto neste segmento como especulação de mercado”.

No entanto, a advogada diz que acredita na chamada “desmaterialização” da moeda, já que vários fenômenos estão ocorrendo desde que os sistemas de pagamentos on-line invadiram nossa vida: “Estamos na era da informação, inovação e tecnologia. Quanto mais tecnológicos nos tornarmos, maior será o uso de meios de pagamento virtuais. Em menos de duas décadas, nosso sistema de pagamento mudou radicalmente. Antigamente, tínhamos talão de cheque, nota promissória, boleto bancário, cartão de crédito e, agora, temos também novas formas de circular o dinheiro de forma totalmente digital”.

Evolução

Nesta primeira fase, Maylin diz que as criptomoedas ainda sofrerão resistência do sistema bancário atual: “Eles estão tentando desesperadamente acompanhar essa novidade para não perder o controle de forma centralizada, e lançando a moeda nacional de forma tokenizada. Já para o ano que vem, o Banco Central anunciou que pretende seguir o exemplo do Reino Unido e lançar no Brasil o mesmo modelo de Open Banking. Exatamente para modernizar o sistema dito antiquado e quase ultrapassado e, assim, coibir a entrada de novas tecnologias no mercado financeiro”.

“Já numa segunda fase de uso das criptomoedas e com sua expansão, acredito no uso generalizado pelo comércio em geral. O grande erro agora é acumular e usar esta tecnologia como ativo para especulação de mercado, e não como meio de pagamento universal. Mas este fenômeno também aconteceu com a corrida pelo ouro, por exemplo. Primeiro, acumulou-se, roubou-se, fraudou-se, para somente depois disseminar mundo afora”, afirma a advogada.

Conselhos

Segala diz que é compreensível ter receios em relação a comprar algo novo, pois isso acontece desde que a humanidade passou a comercializar mercadorias. Ele lembra que a internet já foi vista como uma moda que logo passaria, assim como os smartphones e outros produtos eletrônicos que permanecem até hoje.

“Procure pessoas que falem de criptomoedas, mas que argumentem com honestidade. Presidentes de bancos centrais e de grandes bancos talvez não sejam fontes muito confiáveis, pois eles têm interesses que podem ser atrapalhados pela popularização das criptomoedas. Mas há pessoas muito boas nas redes sociais falando sobre isso. E sempre que estiver em dúvida, minhas redes sociais estão abertas para um bate-papo”, finaliza o economista.

Maylin diz que é preciso ter em mente um objetivo e a certeza dos riscos. Ela acredita que essa nova tecnologia pode nos levar a outros patamares de realidade, bem como a uma nova visão de como lidamos com dinheiro e bens digitais.

“Se você não tem um valor do qual possa dispor, ou seja, que não possa perder sem prejudicar a sua vida financeira, não arrisque. Agora, se você tem valores que possa arriscar em médio e longo prazo, vá em frente. Mas esteja bem ciente dos riscos e das possibilidades. Afinal, segundo o sociólogo alemão Ulrich Beck, vivemos em uma sociedade de riscos em constante mutação”, finaliza a advogada.

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Redação CoinBene
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