SEGURANÇA E TECNOLOGIA

Blockchain: A tecnologia que nem a ficção previu

Blockchain: A tecnologia que nem a ficção previu
Tempo de leitura: 7 minutos

Imagine se preparar para o trabalho, entrar em seu próprio carro e…ler um livro até chegar ao escritório. Parece uma história de algum milionário, que tem motorista, mordomo e três babás. E se eu disser que o carro não terá ninguém ao volante? Pronto, é um filme de ficção científica. Mas isso será vivenciado por você muito em breve. Em alguns anos, você poderá ter – ou ligar para um – carro sem motorista, que transportará você com segurança para qualquer lugar que queira ir. Ele já terá a rota mais rápida, evitará congestionamentos e ainda pagará o pedágio. A revolução parece estar próxima.

Apesar de ser relacionada aos ativos digitais, a tecnologia blockchain apresenta inúmeras outras possibilidades de uso – e vai muito além do setor financeiro. Os mercados de seguros, crédito, agricultura, indústria, serviços, transportes, entre outros, serão beneficiados a curto prazo. Com isso, veremos o aumento considerável de demandas para essas áreas e, consequentemente, empregos gerados. Qualquer projeto relacionado à blockchain será uma nova oportunidade de negócio. E países desenvolvidos já enxergam isso.

Segundo levantamento da Criptomoeda.org em 2018, os Estados Unidos ocupam a primeira colocação mundial na utilização da tecnologia. E sua implantação está sendo debatida em situações antes inimagináveis. Don Tapscott, consultor especializado em estratégia corporativa e transformação organizacional, diz que o sistema de votação tradicional nos EUA, por exemplo, pode ser corruptível, sem contar os problemas técnicos, resultando na abstenção de grande parte da população americana – o voto nos Estados Unidos não é obrigatório. “Quando falamos de blockchain e política, o que se pode afirmar é que a tecnologia evita esses inconvenientes e oferece um voto incorruptível e permanente, onde o resultado é transparente e de fácil acesso a todos. Por que não utilizar a tecnologia para dar uma cara nova para o sistema eleitoral?”, questiona.

A Europa também está atenta. Joseph Muscat, primeiro ministro de Malta, foi um dos pioneiros. “Eu considero, com muito fascínio, que a tecnologia revoluciona e melhora os sistemas. É por isso que em Malta nos consideramos a ‘ilha blockchain’”, disse o chefe de governo maltês, que justificou o porquê de tanto orgulho. “Somos a primeira jurisdição mundial a regulamentar essa nova tecnologia”.

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Embora a adoção da tecnologia apareça em grande número na América do Norte e Europa, do outro lado do mundo a velocidade fala mais alto: na Ásia o futuro já chegou há tempos.

Países da Ásia já incluem a blockchain junto à inteligência artificial, realidade virtual, big data e outras novas tecnologias de alta performance, como parte de suas estratégias. Com um uso surpreendentemente alto de telefones celulares e a ampla aceitação de soluções de pagamento sem dinheiro por lá, como pagamento LINE e wePAY, o Sudeste Asiático é o marco zero para a revolução da blockchain.

Tudo o que é necessário para aproveitar as moedas digitais é o acesso a um smartphone – que já é extremamente comum no Sudeste da Ásia. A região é responsável por mais de 52% dos pagamentos móveis em todo o mundo, tornando a região o ecossistema perfeito para propagar a adoção de criptomoedas no mundo real. Já são mais de 450 milhões de consumidores realizando transações desta maneira.

Um dado assustador chama a atenção: apenas 27% da população do Sudeste Asiático tem uma conta bancária. Graças às facilidades que a blockchain proporciona.

A China prometeu que a tecnologia blockchain é uma parte fundamental de seu plano de cinco anos. E são os chineses que lideram uma corrida que envolve todos os países do Sudeste Asiático: a criação de cidades inteligentes.

Cidades inteligentes pretendem usar tecnologias interconectadas – ou descentralizadas – para automatizar tarefas diárias e de infraestrutura. Estamos falando de coisas como controle de tráfego e serviços públicos.

A China atualmente lidera esta revolução inimaginável para nós com, literalmente, centenas de projetos de cidades inteligentes prontos para varrer o país nos próximos anos. A cidade de Yinchuan é a primeira a se tornar realidade.

Basicamente, a tecnologia de big data é usada para coletar informações sobre cada cidadão, e otimizar suas vidas diárias, tornando as tarefas mais simples e rápidas. Por exemplo, um cidadão de Yinchuan usa seu rosto como um cartão de banco e suas retinas pagam pelas tarifas de ônibus, o que mantém os pagamentos simples e as filas curtas.

Com isso, todas essas informações serão armazenadas na blockchain, permitindo que os usuários acessem, armazenem, gerenciem e controlem seus próprios dados. A corrida pelo futuro já começou.

1 em cada 3 sul-coreanos já utilizaram criptomoedas de alguma forma

E as criptomoedas no Brasil?

O Brasil ocupa apenas a 11ª posição no ranking que mais utilizam a tecnologia, ainda segundo levantamento da Criptomoeda.org. Em outro levantamento, este da IDC, apontou que das 4,2 mil startups entrevistadas, apenas nove aplicam a blockchain em seus negócios.

Instituições financeiras também já estão procurando entender um pouco mais da tecnologia. Banrisul, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, SICOOB e Santander firmaram parceria para um projeto de blockchain em maio de 2018. Além disso, em dezembro do mesmo ano, o Pitaia Bank foi desenvolvido. É o primeiro “Digital Bank” inaugurado em blockchain no Brasil. “A Pitaia deu um grande passo para a circulação das criptomoedas no Brasil”, afirma a CEO da fintech, Simone Abravanel.

Mesmo timidamente, o Governo Federal vem entrando na onda. No final de novembro, a Receita Federal anunciou uma Portaria que abre caminho para a criação de um sistema de compartilhamento de dados em blockchain. O órgão também anunciou o lançamento do projeto bCPF, que facilita o compartilhamento de dados do CPF. O lançamento de um CNPJ também está em pauta, mas em fase de discussão.

No Brasil, ainda estamos engatinhando. Nos EUA, eles caminham a passos largos. Na Ásia, eles já estão voando. Agora, convido você a olhar para um país que promete lhe apresentar sua nova rotina futurística: Singapura, o berço da CoinBene.

Cingapura está expandindo seu uso da tecnologia para consolidar sua posição como uma cidade global líder e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Aqui estão algumas iniciativas futuras

infografico Cingapura

Cingapura é um dos países que estão na vanguarda do uso de blockchain

Piloto em Punggol

O primeiro projeto de habitação inteligente será lançado em breve em Punggol, e serão incluídas medidas de eficiência energética, identificação da terra ao construir um prédio; melhores circunstâncias para redes de transporte e até a obtenção do melhor fluxo de vento.

Minha casa, meu controle

Todas as casas serão controladas pelo smartphone, desde aberturas de portas a eletrodomésticos.

Sensores residenciais

Sensores em casas que idosos residem monitoram seus movimentos e enviam alertas aos responsáveis caso seja detectado comportamento irregular.

Terapia virtual

Um sistema de reabilitação que está sendo testado em hospitais comunitários permitirá que os pacientes realizem exercícios de terapia em casa, enquanto sensores ligados ao corpo transmitem dados para os hospitais.

Transporte futuro

Carros automatizados – exatamente, sem motorista – serão testados em estradas públicas pela primeira vez, em Buona Vista.

Onde está meu ônibus

Os passageiros poderão usar um aplicativo de celular para descobrir o horário de chegada do ônibus em tempo real e o quão lotado ele está.

Mapeando o futuro

Um novo projeto de mapa 3D chamado “Cingapura Virtual” integrará camadas de dados sobre os edifícios, a terra e o meio ambiente do país. Agências governamentais e outras organizações podem usá-los para resolver problemas, como identificar as áreas mais propensas a inundações, enquanto o público pode contribuir com informações, como padrões de tráfego ou até onde é seu restaurante favorito.

Lembre de mim

Uma nova plataforma digital está sendo desenvolvida para contornar a necessidade de os cidadãos fornecerem seus dados pessoais repetidamente para transações governamentais.

Futuro, ativar

Um chip embutido pode transformar um anel, um relógio ou seu cartão de identidade em um dispositivo de pagamento, eliminando a necessidade de dinheiro ou cartões de crédito.

Qualidade da água e vazamentos

Uma rede de sensores sem fio que monitora a qualidade da água e detecta vazamentos em tempo real.

Pedágios sem filas

Um pedágio baseado em satélite que pode cobrar os motoristas nas estradas automaticamente, de acordo com a distância percorrida.

Segurança

Um aplicativo de celular para que policiais possam rastrear outros Departamentos de Segurança em tempo real. Ajudará a responder incidentes com mais rapidez e precisão.

Protegendo o mar

Oito boias ao longo da costa com sensores podem ser implantadas para testar o nível de poluição das águas, com envios de atualizações em tempo real sem fio para as autoridades marítimas.

Doença e Higiene

Modelos de computador que usam sensores e aplicativos móveis para ajudar a detectar e evitar surtos de dengue e intoxicação alimentar. Se as pessoas se queixarem no Facebook ou no Twitter de estarem doentes depois de comer em um restaurante específico, o sistema alertará os oficiais responsáveis.

Blockchain: Mudanças imediatas na sua vida

Menos taxas em transferências nacionais e internacionais

Uma simples transferência de dinheiro, hoje feita por TED ou DOC, tem custos que vão de R$8,65 a R$18,70, dependendo do canal usado e do banco em questão. Com o uso da blockchain, a operação pode vir a custar centavos. Em uma transferência internacional, além dos custos, envolve vários estágios com banco local e banco central do país de quem emite o dinheiro e depois banco central e banco local de quem recebe esse dinheiro.

Burocracia zero em cartórios

O sistema pode facilitar a vida de qualquer pessoa que precise, por exemplo, de serviços de cartório para autenticar documentos ou reconhecer assinaturas. Quando os dados estiverem dentro da blockchain, não haverá mais necessidade de validação de um cartório em qualquer operação, com eliminação de custos, de tempo, de burocracia.

Seu histórico médico em qualquer lugar do mundo

Ter dados sobre sua saúde registrados na blockchain, como tipo sanguíneo, cirurgias realizadas, medicamentos a que tem alergias, enfim, seu histórico médico, vai permitir que o paciente seja atendido em qualquer canto do mundo com muita precisão e segurança.

Rapidez na identificação de responsáveis

Atualmente, quando um erro é cometido, desde transações com dinheiro até tragédias nacionais, o jogo da culpa começa. A responsabilidade pode estar em um indivíduo ou instituição. Muitas vezes, é necessária uma investigação para descobrir quem é responsável pelo que deu errado e, com bastante frequência, as investigações são demoradas e não objetivas. Se a mesma transação foi feita através do blockchain, bastaria verificar o log de transações para identificar imediatamente o problema e de quem era a culpa, reduzindo custos e tempo.

Combate a fraudes e corrupção

Os dados do cliente e os registros de transações registrados na blockchain ajudam bancos a identificar transações incomuns e evitar fraudes. A tecnologia blockchain pode alterar o sistema de crédito existente e armazenar os scores de cada cliente, ao ser realizado o know your customer (KYC). Os bancos também podem detectar e eliminar comportamentos fraudulentos, detectando processos anormais de transações de clientes em ledgers compartilhados.

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Redação CoinBene
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